Os chineses sempre usaram os panchões para afugentar a má sorte e até os inimigos em guerras psicológicas. Reza a lenda que o panchão assustava o monstro Nian que comia as pessoas e o gado, ou acordava o dragão que trazia a chuva da Primavera aos campos. Mas havia quem acreditasse que era com tais estalidos que se queimavam os pecados. Se o vermelho e as faúlhas eram bons presságios, já o fumo criava uma boa atmosfera. Foi esta combinação que fez do panchão um modo de celebração universal, sobretudo no Ano Novo Chinês.
Em Macau rebentar panchões é uma tradição antiga, mas é algo corriqueiro e não apenas reservado a épocas festivas, como na China. Afinal, ali foram montadas muitas fábricas de panchões no século passado, onde era até frequente ver estendais de panchões a secar.
E não é só por isso que Macau tem lugar marcado na fila da frente da história do fogo-de-artifício. Foi na RAEM que primeiro se ouviu a palavra panchão, com raiz no chinês “pau-tcheong” (“embrulho de pólvora”). Esta ganhou expressão no mundo lusófono e consta até nos dicionários como um regionalismo de Macau, significando “foguete chinês”.
Lenda do panchão
Segundo a História de Tang, o panchão foi inventado por Li Tian no reinado do imperador Taizhong, Li Shimin (626-649). O panchão terá “curado” o imperador que via “fantasmas das montanhas”.